domingo, 17 de março de 2013

5. A PROVIDÊNCIA DIVINA




Providência é, neste mundo, tudo o que se faz dispondo as coisas de modo e se realizem objetivos de ordem e harmonia, visando o bem e a felicidade das criaturas com a plena satisfação das suas reais necessidades, sejam físicas ou espirituais.

Deus, em relação às suas criaturas, é a própria Providência, na sua mais alta expressão, infinitamente acima de todas as possibilidades humanas. Manifesta-se a Providência Divina em todas as coisas, está imanente1 no Universo e se exerce através de leis admiráveis e sábias. Tudo foi disposto pelo amor do Pai, soberanamente bom e justo, para o bem de seus filhos, desde as mais elementares providências para a manutenção da vida orgânica e a sua transmissão, garantindo a perpetuação da espécie, até a concessão da faculdade superior do livre-arbítrio, cabendo ao homem o mérito da conquista consciente da felicidade, pela prática voluntária do bem e a livre busca da verdade. Deus tudo fez e faz a bem de suas criaturas. Imprimiu-lhes na consciência as leis morais de trabalho, reprodução, conservação e destruição - esta não abusiva, mas equilibrada; como também a lei de sociedade, obedecendo à qual devem organizar-se em famílias ou em mais amplas comunidades sociais, em cujo seio vão cumprir deveres, ligados todos àquelas leis morais e ainda às progresso, igualdade e liberdade, em seu justo e mais elevado sentido e, sobretudo à lei de justiça, amor e caridade.

Propicia Deus, assim, ao homem construir própria felicidade pela livre observância dessas leis e o cumprimento dos correspondentes deveres, e ele só é infeliz quando os descumpre ou com elas se desarmoniza. Faz o homem tudo o que quer utilizando-se do livre-arbítrio que a Divina Providência lhe confere para construir ativa e meritoriamente o seu destino; mas é também plenamente responsável pelos atos praticados, devendo arcar com todas as consequências deles decorrentes, sejam estas felizes ou infelizes. Parece então, que se opõem a Providência Divina e o livre-arbítrio humano. Mas não. Deus concede o livre-arbítrio ao homem para que ele acrescente à sua felicidade o mérito da iniciativa e espontaneidade, no trabalho, na busca do próprio bem, na livre escolha caminho reto para o conseguir.    
A tudo Deus realmente provê, mas não quer inativa sua criatura, recebendo passivamente a graça divina, e sim que a busque por si mesma, conquistando através de perseverantes esforços a felicidade e o progresso.

Pelo uso do seu livre-arbítrio, a alma fixa o próprio destino, prepara as suas alegrias ou dores. Jamais, porém, no curso de sua marcha, na provação amargurada ou no seio da luta ardente das paixões, lhe será negado o socorro divino. Nunca deve esmorecer, pois, por mais indigna que se julgue; desde que em si desperta a vontade de voltar ao bom caminho, à estrada sagrada, a Providência dar-lhe-á auxilio e proteção.

A Providência é o espírito superior, é o anjo velando sobre o infortúnio, é o consolador invisível, cujas inspirações reaquecem o coração gelado pelo desespero, cujos fluidos vivificantes sustentam o viajor prostrado pela fadiga; é o farol aceso no meio da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a flux2 sobre suas criaturas. Que solicitude, que previdência nesse amor! (...) “A alma é criada para a felicidade, mas, para poder apreciar essa felicidade, para conhecer-lhe o justo valor, deve conquistá-la por si própria e, para isso, precisa desenvolver as potências encerradas em seu intimo. Sua liberdade de ação e sua responsabilidade aumentam com a própria elevação, porque, quanto mais se esclarece, mais pode e deve conformar o exercício de suas forças pessoais com as leis que regem o Universo”.

A liberdade do ser se exerce, portanto, dentro de um círculo limitado: de um lado, pelas exigências da lei natural, que não pode sofrer alteração alguma e mesmo nenhum desarranjo na ordem do mundo; de outro, por seu próprio passado, cujas consequências lhes refluem através dos tempos, até à completa reparação. Em caso algum, o exercício da liberdade humana pode obstar à execução dos planos divinos; contrário, a ordem das coisas seria a cada instante perturbada. Acima de nossas percepções limitadas e variáveis, a ordem imutável do Universo prossegue e mantém-se.

Quase sempre julgamos um mal aquilo que para nós é o verdadeiro bem. Se a ordem natural das coisas tivesse de amoldar-se aos nossos desejos, que horríveis alterações daí não resultariam? O primeiro uso que o homem fizesse da liberdade absoluta seria para afastar si as causas de sofrimento e para se assegurar, desde logo, uma vida de felicidade. Ora, se há males que a inteligência humana tem o dever de conjurar, de destruir - por exemplo, os que são provenientes da condição terrestre -, outros há, inerentes à nossa natureza moral, que somente dor e compressão podem vencer; tais são os vícios. Nestes casos, torna-se a dor uma escola, ou, antes um remédio indispensável: “as provas sofridas não são mais que distribuição equitativa da justiça infalível."

Mas a Providência Divina, em relação à Humanidade terrestre, ainda se manifestou quando Deus nos confiou a Jesus, como discípulos a um Mestre e como ovelhas a um Pastor. Com que solicitude e paciência infinita Ele nos vem, desde tão, ensinando e conduzindo, através de séculos e milênios!

Não estamos em momento algum desamparados ou à nossa própria sorte abandonados. Divina Providência, que nos acompanhas através de vidas sucessivas, objetivando o nosso progresso e a nossa ascensão, mesmo quando nos fazes sofrer - pois, se por nossa culpa e o mau exercício do livre-arbítrio, estivermos, de fato, sofrendo, por força da Lei, as consequências dos nossos desmandos, pela própria Lei seremos devolvidos à paz e à felicidade, beneficiados pela dor redentora, enriquecidos de experiência e de sabedoria -, desde o momento em que te reconhecemos e nos conscientizamos da tua imanência numa Lei sábia e soberana, e estabelece tudo para o nosso bem, louvamos Àquele de quem emanas, na imensidão da Sua Justiça e do Seu amor!

 


1 Imanente - Que está compreendido na própria essência do todo. Aderente, permanente. Perdurável.


2 Flux - A flux: a jorros, em abundância.




1. FÉ NA JUSTIÇA



       Nossas reflexões nos convidam a ter uma atitude de responsabilidade diante da vida. Para isso é preciso parar de se lamentar ou se revoltar pelos infortúnios que acontecem conosco e buscar uma atitude construtiva de ação, em que se assume a vida com todos os seus desafios, tornando-a cada vez mais harmonizada e feliz.

        A vida sempre nos oferece, através da Providência Divina, abundância, mas muitas vezes, ao invés de ir em direção à abundância, ficamos a colher migalhas do banquete da vida e nos lamentar por isso, num processo de menos valiza, devido à nossa baixa auto-estima, desprezando os recursos que Deus nos oferece. (Parábola do Festim de Bodas)

         Todos somos chamados pela Providência Divina a usufruir o banquete da vida e desprezamos, nos revoltamos contra o convite. São poucos aqueles que escolhem, por si mesmos, vestir a túnica nupcial para participar do grande festim.

         A túnica nupcial simboliza a fé e a confiança em Deus, autor do convite para o banquete. Para termos a abundância da vida é preciso confiar, é preciso fé. O caminho para que tenhamos essa fé é Jesus.

         O ser humano possui uma dualidade, ainda envolta com as sombras do ego, querendo vivenciar a luz da Essência. Sabemos que essa dualidade é transitória e tende para a unidade.

         Mas, enquanto o Ser Essencial não se afirma em seus esforços no amor e no bem, permaneceremos entre a crença e a incredulidade.

      No estado de ignorância moral em que ainda nos encontramos, isso é natural e explica o motivo pelo qual estamos envoltos pelas dificuldades já colocadas. A fé e a confiança serão desenvolvidas através de exercícios continuados em nós mesmos, especialmente nos momentos de testemunho.

        É claro que não basta dizer crer em Jesus com os lábios. A ajuda que Ele sempre nos oferece é servir de modelo, demonstrando todo o seu amor e que podemos fazer o mesmo que Ele fez.

       Podemos desenvolver em nós o imenso amor do qual Jesus é o maior exemplo para a humanidade. É esse o maior exercício que a vida nos convida, ter fé e confiança em nós mesmos, em nossa capacidade de amar, de perdoar, de evoluir até a plenitude do Ser, para, por nossa vez, ir até o nosso Pai de Amor e Compaixão, e ficarmos para sempre na Casa do Pai, formando um só rebanho com um só Pastor.






Referências bibliográficas


1) Kardec, Allan. “A Gênese”. FEB 1992. Capítulo 2: A providência (itens 20 a 30).

2) Denis, Léon. “Depois da Morte”. Livre Arbítrio e providência. FEB, 1996. pág 243-244.




domingo, 10 de março de 2013

4. A EXISTÊNCIA DE DEUS







1. PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS.

Desde os tempos remotos, a criatura humana guarda a intuição da existência de um ser superior, ao qual dá diferentes nomes: Deus, Alá, Jeová, etc. Os selvagens veneravam a divindade nos fenômenos da Natureza, fatos que estavam fora do seu controle e do alcance de sua inteligência.
Com o passar do tempo e o desenvolvimento científico, o homem, pela investigação e pela experiência, passou a compreender melhor o mundo à sua volta, mas a sua ideia sobre Deus continuou obscura e ininteligível. O homem perdeu-se em complicados estudos teológicos, afastando-se cada vez mais das Leis Naturais que regem o Universo.
Enquanto a maioria das religiões tradicionais mostra Deus como um ser dotado das mesmas características psicológicas e físicas que o homem, como se fosse um velho barbudo, de rosto sisudo e olhar acusador sobre as pessoas, o Espiritismo parte de dados racionais e apresenta Deus como um Ser Supremo, dotado de bondade, justiça e amor.
Allan Kardec, em «O Livro dos Espíritos», na primeira pergunta, propõe uma questão aos espíritos sobre a Divindade, de forma lógica; não usa a forma Quem é Deus?, que daria um sentido de personificação, ou seja, uma ideia antropomórfica, mas busca a natureza íntima, a essência das coisas, formulando a proposição desta forma – Que é Deus? Ao que os espíritos, sabiamente, respondem:

"Deus é a inteligência suprema,
causa primária de todas as coisas".

Deus, porém, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência. Pode o homem, ter convincentes provas de que Deus existe, mas advindas por outros caminhos, que transcendem aos dos sentidos: o da razão e do sentimento.
        Racionalmente, não é possível admitir um efeito sem causa. Olhando o Universo imenso, a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia a que obedece a marcha dos mundos inumeráveis, os seres da natureza, os minerais com suas admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal em sua exuberância, numa variedade de plantas quase infinita, os animais com seus portes altivos ou a fragrância de certas aves ou miríades de insetos, o mundo microscópico com incontáveis formas unicelulares; toda essa imensidão, profusão e beleza nos obrigam a crer em Deus, como causa necessária. Mas se preferirmos contemplar apenas o que é o nosso próprio corpo, quanta harmonia também divisaremos nas funções que se exercem a revelia de nossa vontade num ritmo perfeito. Nas maravilhas que são os nossos sentidos; os olhos admiravelmente dispostos para receber a luz refletida nos corpos, condicionando no plano físico a percepção dos objetos e das cores; o ouvido, adequadamente estruturado à percepção de sons, melodias e grandiosas sinfonias; o olfato, o gosto, o tato, outros tantos sentidos que nos permitem instruir-nos sobre a objetividade das coisas. Toda essa perfeição, a harmonia da natureza humana e do mundo exterior ao homem, só pode ser criação de um Ser Supremamente inteligente e Sábio, o qual chamamos de Deus.
        “Há um provérbio que diz: Pela obra se conhece o autor! Vede a obra, e procurai o autor (....). A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; o engenho do mecanismo atesta-lhe a inteligência e o saber. Quando um relógio nos dá o momento preciso, a indicação de que necessitamos, já nos ocorreu dizer: "Aí está um relógio bem inteligente"? Pra um efeito inteligente, existe uma causa inteligente.
        Procurando a obra primária do Universo, reconhece-se no seu autor uma inteligência suprema, uma inteligência superior à humanidade. Seja qual for o nome que lhe dêem, essa inteligência superior é a causa primária de todas as coisas. Para crer-se em Deus basta lançar o olhar para as obras da criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo o efeito tem uma causa, e adiantar que o nada pode fazer alguma coisa.
É pelo sentimento, mais do que pelo raciocínio, que o homem pode compreender a existência de Deus. Há no homem, desde o mais primitivo até o mais civilizado, a ideia inata da existência de Deus.
        A ideia de Deus transmitida por Moisés e pelos antigos profetas foi a que se adaptava à compreensão de um povo de pastores, há trinta e muitos séculos. Um Chefe.
A ideia de Deus que Jesus transmitiu, sem negar o que era divino na Lei de Moisés, foi a de um Deus de amor, compaixão e justiça. Um Pai.
O Espiritismo, portanto, tem na existência de Deus o princípio maior, que esta na base desta Doutrina. Sem pretender dar ao homem o conhecimento da Natureza íntima de Deus, permite-se argumentar que prova a Sua existência a realidade palpitante e viva do Universo. Se este existe, há de ter um divido Autor.


2. ATRIBUTOS DA DIVINDADE.

        Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse é o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus ocioso, colérico, parcial e vingativo.


  • Deus é a suprema e soberana inteligência. É limitada a inteligência do homem, pois que não pode fazer, nem compreender tudo o que existe. A de Deus abrangendo o infinito, tem que ser infinita. Se a supuséssemos limitada num ponto qualquer,  poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria e assim por diante, até ao infinito.
  • Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, houvera saído do nada. Ora, não sendo o nada coisa alguma, coisa nenhuma pode produzir. Ou, então, teria sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supuséssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito.
  • Deus é imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.
  • Deus é imaterial, isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito ás transformações da matéria.
  • Deus é onipotente. Se não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber uma entidade mais poderosa e assim por diante, até chegar-se ao ser cuja potencialidade nenhum outro ultrapassasse. Esse então é que seria Deus.
  • Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria das leis divinas se revela nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, não permitindo essa sabedoria que se duvide da sua justiça, nem da sua bondade. O fato do ser infinita uma qualidade, exclui a possibilidade de uma qualidade contrária, porque esta a apoucaria ou anularia. Um ser infinitamente bom não poderia conter a mais insignificante parcela de malignidade, nem o ser infinitamente mau conter a mais insignificante parcela de bondade, do mesmo modo que um objeto não pode ser de um negro absoluto, com a mais ligeira nuança de branco, nem de um branco absoluto com a mais pequenina mancha preta.
  • Deus é infinitamente perfeito. É impossível conceber-se Deus sem o infinito das perfeições, sem o que não seria Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. Para que nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se mister que ele seja infinito em tudo.
  • Deus é único. A unicidade de Deus é consequência do fato de serem infinitas as suas perfeições. Não poderia existir outro Deus, salvo sob a condição de ser igualmente infinito em todas as coisas, visto que, se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria inferior ao outro, subordinado ao poder desse outro e, então, não seria Deus.


Todos os seres se relacionam com Deus tal como as criaturas com o Criador. Na medida em que evoluem, ampliam a sua consciência dessa unidade criatura-Criador. Todos os seres criam expressando Deus e nesse sentido pode-se compreender que Deus está presente em todos os seres (Deus onipresente). Pode-se compreender, também, que Deus é consciente através da consciência de todos os seres do universo (Deus onisciente). E, por fim, Deus faz, age, constrói através de suas criaturas. Elas são instrumentos do amor, da justiça, verdade, da evolução. A estruturação inteligente é operada pelas suas criaturas (Deus onipotente).
"Deus é vida, paz, amor, compreensão, inteligência, justiça, caridade suprema. Deus é a expressão da vida, é a dinâmica da vida. Deus é a unidade que se revela todos os dias quando nos procuramos” (Antônio Grimm).


ONDE ESTÁ DEUS?

"Onde está Deus?", pergunta o cientista,
Ninguém O viu jamais. "Quem Ele é?".
Responde à pressa, o materialista:
"Deus é somente uma invenção da fé!".

O pensador dirá, sensatamente:
"Não vejo Deus, mas sinto que Ele existe!
A natureza mostra claramente
Em que o poder do Criador consiste".

Mas o poeta dirá, com a segurança
De quem afirma porque tem a certeza:
"Eu vejo Deus no riso da criança,
No céu, no mar, na luz da natureza!

Contemplo Deus brilhando nas estrelas,
No olhar das mães fitando os filhos seus,
Nas noites de luar claras e belas,
Que em tudo pulsa o coração de Deus!

Eu vejo Deus nas flores e nos prados,
Nos astros a rolar no infinito,
Escuto Deus na voz dos namorados,
E sinto Deus na lágrima do aflito!

Percebo Deus na frase que perdoa,
Contemplo Deus na mão que acaricia.
Escuto Deus na criatura boa
E sinto Deus na paz e na alegria!

Eu vejo Deus no médico salvando,
Pressinto Deus na dor que nos irmana.
Descubro Deus no sábio procurando
Compreender a natureza humana!


Eu vejo Deus no gesto da bondade,
Escuto Deus nos cânticos do crente.
Percebo Deus no sol, na liberdade,
E vejo Deus na planta e na semente!

Eu vejo Deus, enfim, em toda parte,
Que tudo fala dos poderes teus,
Descubro Deus nas expressões da arte,
No amor dos homens também sinto Deus!

Mas onde eu sinto Deus com mais beleza,
Na sua mais sublime vibração,
Não é no coração da natureza,
É dentro do meu próprio coração!".

(José Soares Cardoso)



Referências bibliográficas
1) Kardec, Allan. “A Gênese”. Capítulo 2: Deus (itens 8 a 19).
2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, itens 13 a 16.

domingo, 3 de março de 2013

3. ESPIRITISMO OU DOUTRINA ESPÍRITA: CONCEITO E OBJETO.



- O que significa doutrina?
“Conjunto de princípios de uma escola literária ou filosófica, de um sistema político, econômico etc., ou de dogmas de uma religião”(Koogan/Houaiss. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado).

- O que é espiritualismo?
O Espiritualismo é uma doutrina filosófica que afirma a existência de uma alma imortal no homem, isto é, de um princípio substancial distinto da matéria e do corpo, razão absoluta de ser da vida e do pensamento. 
Espiritualismo. “Crença na existência de uma alma espiritual, imaterial, que conserva sua individualidade após a morte (...); é o oposto de materialismo.”(Allan Kardec. Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas. p30-31) 

1 – Conceito de Espiritismo

O termo “Espiritismo” foi criado por Allan Kardec pelas razões que ele mesmo explica na Introdução de “O Livro dos Espíritos”:
“Para designar coisas novas são necessárias palavras novas; assim exige a clareza de uma língua, para evitar a confusão que ocorre quando uma palavra tem múltiplo sentido. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm um significado bem definido, e acrescentar-lhes uma nova significação para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos seria multiplicar os casos já tão numerosos de palavras com duplo sentido. De fato, o espiritualismo é o oposto do materialismo, e qualquer um que acredite ter em si algo além da matéria é espiritualista, embora isso não queira dizer que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo material. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, utilizamos, para designar a crença nos Espíritos, as palavras espírita e Espiritismo, que lembram a origem e têm em si a raiz e que, por isso mesmo, têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, reservando à palavra espiritualismo sua significação própria. Diremos que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio a relação do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo espiritual. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas ou, se quiserem, os espiritistas.”
            O espiritismo é ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas relações. Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.
            Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, assinala ainda, Kardec : “O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo físico. O Espiritismo nos revela esse mundo espiritual, não mais como algo sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente ativas da Natureza, como a fonte de uma multidão de fenômenos incompreendidos até então e, por esta razão, encarados como coisas do fantástico e do maravilhoso. É a esses aspectos que o Cristo se referiu em muitas circunstâncias, e é por isso que muitos dos seus ensinamentos permaneceram incompreendidos ou foram interpretados erroneamente. O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade.”

2 – Objeto do Espiritismo

“Assim como a Ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do principio espiritual. Ora, como este último principio é uma das forças da Natureza, a reagir incessantemente sobre o principio material e reciprocamente, segue-se que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. O estudo das leis da matéria tinha que preceder o da espiritualidade, porque a matéria é que primeiro fere os sentidos. Se o Espiritismo tivesse vindo antes das descobertas científicas, teria abortado, como tudo quanto surge antes do tempo.”
           Mais adiante, ainda nesta referência, acrescenta Kardec:
            “A Ciência moderna abandonou os quatro elementos primitivos dos  antigos e, de observação em observação, chegou à concepção de um só elemento gerador de todas as transformações da matéria; mas, a matéria, por si só, é inerte; carecendo de vida, de pensamento, de sentimento, precisa estar unida ao principio espiritual. O Espiritismo não descobriu, nem inventou este princípio; mas, foi o primeiro a demonstrar-lhe, por provas inconcussas, a existência; estudou-o, analisou-o e tornou-lhe evidente a ação. Ao elemento material, juntou ele o elemento espiritual. Elemento material e elemento espiritual, esses os dois princípios, as duas forças vivas da Natureza. Pela união indissolúvel deles, facilmente se explica uma multidão de fatos até então inexplicáveis.O Espiritismo, tendo por objeto o estudo de um dos elementos  constitutivos do Universo, toca forçosamente na maior parte das ciências; só podia, portanto, vir depois da elaboração delas; nasceu pela força mesma das coisas, pela impossibilidade de tudo se explicar com o auxílio apenas das leis da matéria.”
            Em suma, os fatos ou fenômenos espíritas, isto é, produzidos por Espíritos desencarnados, são a substancia mesma da Ciência Espírita, cujo objeto é o estudo e conhecimento desses fenômenos, para fixação das leis que os regem.

3 Abrangência do Espiritismo
Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento das atividades, e do comportamento humano. Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social.

4 Princípios da Doutrina Espírita:

DEUS: O Pai Criador, a Inteligência Suprema, a Causa Primeira de Todas as Coisas.
JESUS: O Guia e Modelo, O Amado Mestre, O Espírito Mais Perfeito que já passou pela Terra, o Governador Espiritual do Plano Terrestre.
KARDEC: A Base Fundamental.

5 O Centro Espírita

É escola de formação espiritual e moral, baseada no Espiritismo, ou seja, nos ensinamentos de Jesus. É posto de atendimento fraternal a todos os que o procuram com o propósito de obter orientação, esclarecimento, ajuda ou consolação. É núcleo de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho, com base no Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita.
É casa onde as crianças, os jovens, os adultos e os idosos tenham oportunidade de conviver, estudar e trabalhar, dentro dos princípios espíritas. 


 É oficina de trabalho que proporciona aos seus frequentadores oportunidade de exercitar o aprimoramento íntimo, pela vivência do Evangelho em suas atividades. É recanto de paz construtiva, propiciando a união de seus frequentadores na vivência da recomendação de Jesus: "Amai-vos uns aos outros".
Caracteriza-se pela simplicidade própria das primeiras Casas do Cristianismo nascente na prática da caridade, na total ausência de imagens, paramentos, símbolos, rituais, sacramentos ou outras quaisquer manifestações exteriores.

5.1 Seus Objetivos
Promover o Estudo, a Difusão e a Prática da Doutrina Espírita atendendo e ajudando às pessoas:
- que buscam orientação e amparo para seus problemas espirituais e materiais;
- que querem conhecer e estudar a Doutrina Espírita;
- que querem exercitar e praticar a Doutrina Espírita, em todas as suas áreas de ação.

5.2 Suas Atividades Básicas

1. Divulgação da Doutrina Espírita (por todas as formas e meios compatíveis com os princípios doutrinários): palestras, aulas, grupos de estudos, livros, etc.

2. Assistência espiritual (orientação e ajuda às pessoas com necessidades espirituais): atendimento fraterno, exposição de temas espíritas, estudo do evangelho à luz da Doutrina Espírita, passes e atividade mediúnica.

4. Assistência e promoção social (orientação e ajuda às pessoas com necessidades materiais): assistência através da distribuição de alimento, roupa e remédio, e promoção através de cursos de orientação, ensino e formação profissional.