domingo, 7 de abril de 2013

9. INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL

1. COMO OCORRE A INFLUÊNCIA?





Os Espíritos exercem tamanha influência sobre os nossos pensamentos e atos que amiúde somos por eles dirigidos. Isto se dá, porque os Espíritos povoam os mesmos espaços em que vivemos, acompanham-nos em nossas atividades e ocupações, vão conosco aos lugares que frequentamos, seguindo-nos, ou evitando-nos, conforme os atraímos ou os repelimos. Estamos cercados por Espíritos, e a sua influência oculta sobre os nossos pensamentos e atos se faz sentir pelo grau de afinidade que mantivermos com eles.

        Em O Livro dos Espíritos, Kardec coloca o seguinte:

459. “Influem os espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?”
Resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.

       Esclarece ainda o Codificador no Livro dos Médiuns:

“Essa influência é permanente e os que não se preocupam com os Espíritos, ou nem mesmo creem na sua existência, estão expostos a ela como os outros, e até mais do que os outros, por não disporem de meios de defesa” (Item 244).

“Seria errado pensar que é necessário ser médium para atrair os seres do mundo invisível. Eles povoam o espaço, estão constantemente ao nosso redor, nos acompanham, nos veem e observam, intrometem-se nas nossas reuniões, procuram-nos ou evitam-nos, conforme os atrairmos ou repelirmos” (Item 232).

      Assim, todos nós, de uma maneira ou de outra, estamos sujeitos à influência dos Espíritos desencarnados. Comumente, temos ao nosso lado uma multidão de espíritos que nos observam e que podem ver tudo aquilo que fazemos, muitas vezes chegam a conhecer o que desejamos ocultar de nós mesmos.
Essa influência espiritual pode ser classificada de acordo com os seus efeitos em:






INFLUÊNCIA ESPIRITUAL
(pelos efeitos)



POSITIVA


Espíritos Superiores
espíritos bons, propensos ao bem, aqueles que querem nos ajudar em nosso progresso espiritual. Exemplo: nosso Anjo da Guarda.


NEGATIVA


Espíritos Inferiores
os malfazejos e ignorantes do bem, agem assim, por ainda não estarem plenamente conscientes de sua situação no mundo espiritual.

        O intercâmbio do pensamento é movimento livre no Universo. Desencarnados e encarnados, em todos os setores de atividade terrestre, vivem na mais ampla permuta de ideias. Cada mente é um verdadeiro mundo de emissão e recepção e cada qual atrai os que lhe assemelham. Os tristes agradam aos tristes, os ignorantes se reúnem, os criminosos comungam na mesma esfera, os bons estabelecem laços recíprocos de trabalho e realização.
Os Espíritos infelizes, de mente ultrajada, vivem mais com os companheiros encarnados do que se supõe. Misturam-se nas atividades comuns, perambulam no ninho doméstico, participam das conversações, seguem os comensais, de quem dependem em processo legítimo de vampirização (significa que agem como vampiros). 

Esses Espíritos sugam-lhes as energias vitais, com o objetivo de gozarem as sensações próprias dos encarnados. Geralmente essa ação é nefasta e leva o paciente à fraqueza, inclusive orgânica, acarretando doença mental e física de natureza diversa. Como exemplo podemos citar os casos de alcoolismo.
Já a ação dos Espíritos Superiores é outra. Os bons Espíritos só para o bem aconselham, suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que lhes mostram ser dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre aqueles que não são gratos sofrê-la. 


Tomando consciência de que o pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir, nada mais natural que se consiga harmonia e felicidade, quando a emissão mental for equilibrada e edificante; ou aflição e quedas morais, se o pensamento for desequilibrado e doentio.
A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco. Pelo que foi dito, ficou patenteada a ação que os Espíritos exercem uns sobre os outros, sobretudo entre desencarnados e encarnados, estabelecendo-se, assim, uma reciprocidade constante de intercâmbio. Daí, ser difícil, senão impossível, determinadas ocasiões, distinguir um pensamento próprio de um que nos é sugerido.

2. COMO SE PROTEGER DA INFLUÊNCIA  

        Allan Kardec pergunta aos espíritos superiores, como devemos proceder para nos livrar dessa influência dos espíritos inferiores:

469. Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos?
“Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejam ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre. vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: “Senhor! Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.”

Podemos neutralizar a influência dos Espíritos inferiores praticando o bem e pondo em Deus toda a confiança; procurando repelir as sugestões inferiores, e não atendendo aos maus pensamentos que geram a discórdia, as lutas antifraternais, o ciúme, a inveja e a exaltação do orgulho.
À medida que se perseverar no propósito firme de melhoria, através do desligamento do mal, a influência provocada pelas entidades inferiores dará lugar aos conselhos e sugestões edificantes dos benfeitores espirituais.
Considerando a influência dos desencarnados, nos pensamentos, palavras e ações dos que se locomovem na carne, policia desejos e elaborações mentais para que as malhas delicadas e vigorosas da influenciação obsessiva não te retenham o passo na jornada clarificadora em que te encontras na conquista da luz que dimana de Jesus, o Sol Excelso da nossa vida.


        Quando desejamos o mal, atraímos influências más e somos portanto, ajudados pelos maus a praticar o mal.
     Para neutralizar a influência dos maus Espíritos, devemos ORAR, praticar o bem, resistir ao mal, vigiar nossos pensamentos e ações, colocando em DEUS e no MESTRE JESUS, nossa total confiança.
 

FONTES DE CONSULTA
1. Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Perg. 459 a 472
2. Rodolfo Calligaris. Páginas do Espiritismo Cristão. Somos o que pensamos FEB 1993,pág. 170.
3. Divaldo de Pereira Franco. Glossário Espírita Cristão. LEAL, 1976. pág.106.
4. Francisco Candido Xavier. Nos Domínios da Mediunidade. FEB, 1993, pág. 186.
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

CHICO XAVIER, O APÓSTOLO DA CARIDADE.


Francisco Cândido Xavier,  mais conhecido como Chico Xavier, nasceu em Pedro Leopoldo, pequena cidade do estado de Minas Gerais, no dia 02 de Abril de 1910.
        Filho de operário pobre e inculto, João Cândido Xavier, e de uma lavadeira chamada Maria João de Deus, Chico perdeu a mãe em 1915, quando tinha apenas 5 anos de idade.
O pai, passando por dificuldades, entregou alguns de seus nove filhos aos cuidados de amigos e parentes. Nos dois anos seguintes, Francisco foi criado pela madrinha e antiga amiga de sua mãe, Rita de Cássia, que pelas conhecidas histórias, surrava e maltratava o menino Chico, que numa demonstração de bondade, sempre dizia que ela era uma senhora boa, mas que tinha uma “necessidade” de surrá-lo.
Foi nessa época, que ele teve o primeiro contato com a mãe, enquanto orava no quintal da madrasta. Sua mãe pediu-lhe que aguentasse os maus tratos, pois D. Ritinha era sua instrutora, de modo que ele deveria amá-la, já que ela o tornaria forte para as batalhas que enfrentaria.
Devido aos contatos com o mundo espiritual, em especial, com sua mãe, Chico Xavier era muitas vezes incompreendido, sendo tachado de possuído e sofreu muito por isso, tendo passado por várias provações. E apesar de tudo, ele mantinha uma intensa calma e benevolência com as pessoas, mesmo quando elas o tornavam motivo de chacota.
Quando Chico Xavier tinha nove anos, seu pai  casou-se novamente com Cidália Batista, uma mulher boa e caridosa, que insistiu em juntar todos os filhos na mesma casa, a fim de cuidar deles. Ela tratou todos como se fossem seus, juntamente com outros seis filhos que teve desse casamento.
Por insistência de D. Cidália, Chico foi matriculado na escola pública, completando o curso primário em 1924, e não voltou mais a estudar.
Em 1927, com dezessete anos de idade, Chico perdeu a madrasta Cidália, e se viu diante da insanidade de uma irmã, que descobriu ser causada por um processo obsessivo.
No final de 1927 foi fundado o Centro Espírita Luiz Gonzaga, sediado na residência de seu irmão José Cândido Xavier onde as reuniões se realizavam as segundas e sextas-feiras.
No dia 08 de julho de 1927, Chico Xavier fez a primeira atuação no serviço mediúnico em público, e em 1931, passou a receber as primeiras poesias de "Parnaso de Além - Túmulo", que foi lançado em julho de 1932.
Em 1931, manifesta-se pela primeira vez o espírito Emmanuel que foi o seu protetor espiritual, que lhe preveniu que pretendia trabalhar muito a seu lado e por um longo tempo, mas que deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e lhe propôs mais três condições para este trabalho: “disciplina, disciplina, disciplina”.
Em 1932 foi publicado o “Parnaso de Além-Túmulo”, pela FEB – Federação Espírita Brasileira, com coletânea de poesias ditadas por espíritos de poetas brasileiros e portugueses, que obteve grande repercussão junto a imprensa e opinião pública brasileira. As críticas aumentavam ao se saber que o livro havia sido escrito por um modesto escriturário de armazém do interior de Minas Geral, que mal completara o primário. O espírito de sua mãe aconselhou-o a não responder aos críticos.
Neste período, Chico Xavier ingressou no serviço público federal, como auxiliar de serviço no Ministério da Agricultura, onde muitos anos depois se aposentou por invalidez, devido a problemas oculares.
Em 1943, surge uma nova entidade espiritual, assinando suas obras com o pseudônimo de André Luiz, responsável por uma magnífica coleção de onze livros, iniciada com a obra “Nosso Lar”.
Em parceria com o também médium Waldo Vieira, psicografou dezessete obras.
Além da psicografia, também exerceu mediunidade de psicofonia, vidência, audiência, receitista, entre outras práticas.
Em 5 de janeiro de 1959, por motivos de saúde e sob orientação médica e dos Benfeitores Espirituais, Chico Xavier foi residir em Uberaba – MG, onde prosseguiu as atividades mediúnicas em reuniões públicas na Comunhão Espírita Cristã.
Foi nesta mesma época que teve início também à famosa peregrinação aos sábados, quando o bondoso médium, saindo da "Comunhão Espírita-Cristã", visitava alguns lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença amiga, acompanhado por grande número de pessoas.
        Ao longo de sua vida, Chico foi acusado diversas vezes de fraude ou viu seu  nome envolvido em polêmicas que ele, calmamente, ignorava, deixando que o tempo cuidasse dos boatos e maledicências.
Seu trabalho sempre foi voltado à divulgação doutrinária e tarefas assistenciais, aliadas ao evangélico serviço do esclarecimento e reconforto pessoal  aos que o procuravam.
Chico Xavier psicografou mais de 400 livros, cedendo todos os direitos autorais de seus livros para Organizações Espíritas e Instituições de Caridade desde o primeiro livro.
Não aceitava dinheiro arrecadado com a venda de seus livros e vivia apenas com os proventos de sua aposentadoria.
Mesmo com a saúde debilitada, Chico Xavier prosseguiu na sua condição de um autêntico missionário de Jesus, continuando a comparecer às reuniões do Grupo Espírita da Prece, até que no dia 30 de junho de 2002, em Uberaba, Minas Gerais, Chico Xavier desencarnou em decorrência de parada cardiorespiratória.
Conforme relato de amigos e parentes próximos, Chico teria pedido a Deus para morrer em um dia que os brasileiros estariam muito felizes, e que o país estaria em festa, por isso ninguém ficaria triste com seu desencarne.
O país festejava a conquista da Copa do Mundo de futebol, no ano de seu falecimento.
No dia 02 de Abril de 2010, data em que Chico Xavier completaria 100 anos, estreou Chico Xavier – O filme, baseado na biografia “As Vidas de Chico Xavier”, do jornalista Marcel Souto Maior, dirigido e produzido pelo cineasta Daniel Filho.
Chico Xavier psicografou 458 livros, sendo 39 publicados após a morte. Nunca admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras. Reproduzia apenas o que os espíritos lhe ditavam. Por esse motivo, não aceitava o dinheiro arrecadado com a venda de seus livros. Vendeu mais de cinquenta milhões de exemplares em português, com traduções em inglês, espanhol, japonês, esperanto, italiano, russo, romeno, mandarim, sueco e braile. Psicografou cerca de dez mil cartas de mortos para suas famílias, nunca tendo cobrado por isso. Cedeu os direitos autorais para organizações espíritas e instituições de caridade desde o primeiro livro.
Chico Xavier vem recebendo grandes homenagens no Brasil e em outros países, por exemplo: Em 1981 e 1982 foi indicado ao prêmio Prêmio Nobel da Paz, tendo seu nome conseguido cerca de 2 milhões de assinaturas no pedido de candidatura; Em 2000, foi eleito O "Mineiro do Século XX", em um concurso realizado pela Rede Globo Minas; Em 2006 foi eleito o "Maior Brasileiro da História" em pesquisa feita pela Revista Época e em 2012 foi eleito o O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, em concurso realizado pelo programa homônimo do SBT, cujo objetivo foi "eleger aquele que fez mais pela nação, que se destacou pelo seu legado à sociedade."
Pessoas do Brasil inteiro, em todos os níveis sociais tem encontrado, no homem e médium Chico Xavier, o exemplo que necessitam para seu reajuste interior e crescimento espiritual, devido ao conhecimento, bondade e abnegação deste homem que é um presente de Deus para todos nós, enriquecendo-nos com os valores de exemplar cidadão, que trouxe alento e conforto com suas mensagens psicografadas com palavras de paz e luz, amor e esclarecimento.
   



"A revolução em que acredito é aquela ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo que começa pela corrigenda de cada um, na base do façamos aos outros aquilo que desejamos que os outros nos façam". (Chico Xavier)